Imprensa
Grupo SEB dá primeiro
passo para sua
internacionalização
O Globo | 3 de fevereiro de 2017
RIO - O Grupo SEB, entre os grandes de educação básica privada no país, fechou a aquisição de uma empresa estrangeira que detém um sistema de ensino bilíngue espanhol/inglês.

O sistema de ensino é uma metodologia pedagógica usada por escolas, como as antigas apostilas. A aquisição será feita por meio da Conexia, empresa de soluções educacionais do grupo.

A operação será divulgada em meados deste mês e pavimenta o caminho para a internacionalização do grupo, presidido por Chaim Zaher, que também é acionista da Estácio. A meta é ampliar a operação a outros países da América Latina. Em outra iniciativa de expansão, o grupo concluiu a compra de um terreno na Barra da Tijuca para instalar no próximo ano a primeira unidade no Rio da Concept, escola voltada ao segmento premium — com mensalidade na faixa de R$ 3.500. O grupo planeja abrir o capital na Bolsa em 2018.

— Já temos estudos sendo realizados para avaliar o grupo e suas operações. A meta é abrir capital em 2018. Para chegar lá, queremos nos consolidar como uma companhia com escolas de referência em diferentes nichos. Queremos preparar o grupo para fazer frente à concorrência internacional — explicou Zaher.

No fim de 2016, a Conexia já havia anunciado a compra do Programa Múltiplo de Educação, de material didático em língua portuguesa voltada ao ensino fundamental, da Oxford University Press.

— Com a nova aquisição, vamos atuar não apenas no Brasil, mas também em países da América do Sul e mesmo no México. Sem esquecer que trabalhamos para abrir uma escola no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), em 2018 — disse Zaher.

Atualmente, somando escolas próprias e parceiras, o grupo atende a 70 mil alunos. A meta, contudo, é quase dobrar este número total para 120 mil em um par de anos, afirmou Zaher.

— Encerramos 2016 com aproximadamente R$ 450 milhões em faturamento. Este ano, já considerando a aquisição dos novos sistemas de ensino, podemos saltar para R$ 700 milhões — prevê o empresário, que reduziu sua participação no capital da Estácio de 14% para 11% na virada do ano, obtendo R$ 150 milhões em recursos para novos investimentos no SEB.

Os esforços do SEB refletem um mercado que vem atraindo a atenção de investidores nacionais e estrangeiros.

— A educação básica se mostra mais e mais movimentada em atrair a atenção de investidores. É crescente a consulta de fundos do Brasil e do exterior, principalmente para entender o segmento no país. Já há entre eles os que estudam possibilidades de aquisição, principalmente no segmento premium — contou Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da consultoria Hoper Educação.

O segmento premium, voltado para a classe A, apresenta expansão em número de alunos, continua ele. Isso é explicado pelo fato de os pais buscarem a melhor opção em qualidade de ensino para os filhos e ser também a classe social menos afetada pela crise econômica. A retomada da economia deve permitir avanços, diz Presse.

A estratégia do SEB é crescer na rede de escolas próprias e rumo à ampliação do número de colégios parceiros, o que será feito por meio das soluções de ensino. Até o fim do ano passado, o SEB contava com diferentes modelos de colégios em três segmentos: o de entrada, com conteúdo forte e perfil de aprovação no vestibular; as escolas premium, com maior ênfase em troca de experiências, certificações e ensino bilíngue, e a Concept, classificada como de “vanguarda”, de currículo flexível e metodologias ativas de ensino. Ela inicia suas atividades este ano em Salvador e Ribeirão Preto, chegando a São Paulo e Rio no ano que vem.

O grupo terá também um novo modelo de colégio, mais focado no segmento econômico, com educação de qualidade e mensalidades que deverão custar cerca de R$ 550, explicou Zaher.

Esta semana, o SEB recomprou o sistema de ensino Pueri Domus, que havia vendido juntamente com outros três ao Pearson, grupo britânico de educação, em 2010. A operação, de R$ 20 milhões, segundo fontes de mercado, marca o retorno do SEB ao segmento de sistemas de ensino. A diferença é que, agora, eles estão, na maior parte dos casos, inseridos em um pacote mais amplo, que oferece às escolas contratantes material didático, de apoio e capacitação aos professores, metologias inovadoras e inovação tecnológica.